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  • Foto do escritorSaul Scheid

A era do algo a menos

Ninguém é obrigado a se comprometer com nada, mas quando se compromete é obrigado a cumprir.


Lembro que quando comecei minha carreira antes de completar 18 anos, no primeiro dia de trabalho, meu primeiro “chefe” perguntou assim: “Tu sabe mexer no Corel? Tenho um catálogo de cliente pra terminar até sexta”, (era quarta, lembro certinho). Eu, sem pensar duas vezes respondi, afinal era meu primeiro dia: "sim, sei sim". Nunca na minha vida eu tinha ouvido falar em Corel, estava recém duas semanas cursando publicidade. E pra quem estudou na Unisinos na época sabe que o primeiro semestre eram disciplinas básicas e comuns a todos os cursos.

Minha experiência de design mais evoluída tinha sido a logomarca da empresa do meu pai, feita no Power Point empilhando objetos.

Abri o computador, o tal Corel, o arquivo do catálogo e bateu o pavor. Eu tranquilamente fiquei o dia todo fingindo saber o que fazia e procurando no Mercado Livre CDs com cursos de Corel de vendedores de Novo Hamburgo pra poder comprar e retirar no dia, e encontrei. No final do dia, combinei com ele e retirei na Rodoviária de NH. Cheguei em casa (Ivoti) e assisti tudo, anotando em uma folha os comandos principais.

No dia seguinte, faltava um dia para entregar aquele job, mas agora eu já tinha noção do que estava fazendo. Durante o dia todo eu me dediquei diagramando o catálogo e assistindo partes do CD quando surgia uma dúvida, claro, sempre escondido do meu “chefe” pra não parecer que eu não entendia da ferramenta.

Chegou sexta, e ali estava o trabalho, prontinho, diagramado, finalizado, claro, com devidas correções a serem feitas, mas entregue com muito capricho.

Mas o que essa história tem a ver com o título? Tudo, pois ela pra mim representa um começo, em um dia eu fui capaz de correr atrás do conhecimento que precisava pra entregar aquilo que esperavam de mim. Acho que de tanto que me dediquei assistindo aquelas vídeo aulas nunca mais precisei aprender nada tecnicamente da ferramenta.

Hoje percebo que respostas como: não sei, não conheço, não entendo, estão na ponta da língua de muitos, tanto de quem está iniciando carreira quanto quem já está no mercado. Talentos que não se esforçam ou não querem sair da sua zona de conforto pra surpreender, que antes de tentar nadar já procuram boias (desculpas) pra se agarrar.

Tenho conversado com muitos profissionais de mercado, diretores de agência, produtoras, desenvolvedores digitais e muitos feedbacks são similares. Acho que por tudo ser tão fácil, tão acessível, que o esforço para entregar o algo a mais é constantemente engolido pelo algo a menos.

Em tempos de pandemia, de profissionais e negócios se reinventando, entregar o algo a mais deixou de ser extra, e passou a ser básico pela sobrevivência de todos.

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